A Resposta Católica: É pecado apostar na loteria?

by Daniel Martins | 21 de outubro de 2016 11:32

Afinal, é pecado fazer uma “fezinha”? O que o Magistério da Igreja fala sobre a loteria e as apostas em geral? Como agir espiritualmente diante dos jogos, a fim de manter uma relação sadia e equilibrada com os bens que Deus nos dá?

 

Será que é pecado apostar na loteria? Algumas pessoas olham para esse e outros jogos com certo puritanismo, achando que se tratam de algo imoral. O Catecismo da Igreja Católica, no entanto, esclarece que “os jogos de azar (jogo de cartas, etc.) e as apostas não são, em si mesmos, contrários à justiça” [1].

Há nuances, no entanto, que precisam ser consideradas. Antes de mais nada, importa definir o que é a loteria. Trata-se de um contrato em que os participantes, mediante o pagamento de um valor irrisório, contratam o direito de concorrer a um prêmio muito maior do que o valor que apostaram, de modo que o número de pessoas contratantes determina o valor do prêmio a ser sorteado. A rifa, o bingo e a tômbola são jogos parecidos e o juízo moral acerca deles é praticamente o mesmo.

À parte a legislação civil e penal específica de cada país, o que dizer das loterias, sob a ótica da moral católica? Para que sejam moralmente lícitos, é preciso observar alguns pontos, primeiro, em relação a quem organiza esses jogos, depois, em relação a quem participa deles.

No que diz respeito aos organizadores, é importante: que não façam fraudes, porque isso significa enganar as pessoas que fizeram a aposta; e que não haja para eles uma recompensa muito alta, o que seria uma forma de eles se aproveitarem das pessoas e da sua vontade de ganharem um prêmio. É o que acontece, por exemplo, no “jogo do bicho”, que, ainda que fosse aceito pelas legislações locais, continuaria sendo imoral, pois enriquece ilicitamente as pessoas que o organizam. A loteria só pode ser uma fonte de alto rendimento caso, sendo realizada pela iniciativa privada, seja destinada a obras de caridade, ou, no caso de ser organizada pelo governo, funcione como uma espécie de “imposto voluntário”, pelo qual as pessoas dão o seu dinheiro ao poder público, sabendo que ele será destinado a alguma finalidade previamente estipulada.

Por parte dos apostadores, importa: que não se privem “daquilo que é necessário para suprir suas necessidades” [2] – o que é mais comum em jogos de azar que em loterias, a menos que se apostem muitos bilhetes de uma só vez; e que vigiem para não se tornarem adictos a esses jogos. Excluídas essas duas hipóteses, é moralmente aceitável apostar na loteria.

Todavia, além da questão do moralmente permitido, é preciso perguntar se é aconselhável espiritualmente apostar nesses jogos. Por trás das apostas, muitas vezes, há uma atitude espiritual doentia que, além de alimentar a ambição pelas riquezas, faz as pessoas diminuírem o seu amor pelo trabalho e aumentarem a sua vida ociosa, na esperança de que seu sustento cairá magicamente dos céus, sem que elas façam nada para consegui-lo.

Apostar na loteria, geralmente, não é pecado. Mas isso não significa que não nos devamos precaver espiritualmente, cuidando de uma relação honesta e sadia com as riquezas. A ilusão da vida ociosa e da riqueza fácil pode fazer esquecer que o caminho da santificação passa justamente pelo trabalho e que o próprio Senhor exaltou a pobreza de espírito como uma bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” [3].

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 2413
  2. Idem
  3. Mt 5, 3

Fonte: Padre Paulo Ricardo[1]

Endnotes:
  1. Padre Paulo Ricardo: http://padrepauloricardo.org

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