A Resposta Católica: O que é o escapulário?

julho 23 17:13 2016 Imprimir Este artigo

A festa de Nossa Senhora do Carmo, que a Igreja celebra neste dia 16 de julho, está intimamente ligada ao uso do escapulário. Embora constitua uma das devoções católicas mais populares de todos os tempos, ainda muitas pessoas desconhecem sua origem e significado autênticos, pelo que, infelizmente, não é raro ver quem a subestime ou reduza a uma espécie de “amuleto” de superstição.

Por isso, nada mais conveniente que traçar um breve histórico dessa devoção, até para conhecer melhor o seu significado.

A expressão “escapulário” vem da palavra latina scapula e quer dizer, literalmente, aquilo que se traz sobre os ombros. A princípio, tratava-se realmente de um hábito comprido que todos os monges carmelitas estavam obrigados a vestir, em sinal de obediência e como símbolo do jugo suave e o fardo leve de Cristo (cf. Mt 11, 30). Com o passar do tempo e a expansão dessa devoção, todavia, o escapulário foi diminuindo de tamanho, até a forma reduzida que se vê hoje.

Especialmente após a aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock, em 16 de julho de 1251, a essa devoção acresceu-se um novo significado: o escapulário passou a ser o “hábito da Virgem Maria” e quem quer que começasse a usá-lo deveria procurar, também, consagrar-se à Mãe de Deus e imitar-lhe as virtudes, recebendo dela a tríplice promessa de (1) proteção durante a vida, (2)assistência na hora da morte e (3) salvação eterna. Foi impulsionados por essa forte mensagem mariana que muitos aderiram à devoção do escapulário e passaram-na adiante.

Cumpre não perder de vista, porém, a íntima associação que existe, desde o princípio, entre o uso do escapulário e a espiritualidade do Carmelo. Quem quer que receba a imposição desse “hábito” é como que agregado, de alguma forma, à grande família carmelita, como diz expressamente o atual “Rito de Benção e Imposição do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo”, aprovado em 1996 pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos:

“O Escapulário é também um sinal de comunhão com a Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, que se dedica ao serviço de Nossa Senhora para o bem de toda a Igreja. Ao recebê-lo, vós exprimis o desejo de participar no espírito e na vida da Ordem.

[…]

“Pela bênção e imposição deste Escapulário
vós fostes admitidos na família carmelita,
dedicada à imitação
e ao serviço da Virgem Mãe de Deus,
para que possais servir com maior dedicação
a Cristo e à sua Igreja,
com o mesmo espírito contemplativo e apostólico
da Ordem de Nossa Senhora do Carmo.
Para que o consigais com maior perfeição,
eu, pelo poder que me foi concedido,
admito-vos a participar nos bens espirituais
da mesma Ordem do Carmo
.” [1]

Não se trata, evidentemente, de um voto religioso, mas sim de um “sacramental”, verdadeiro instrumento da graça divina para que nos convertamos e levemos uma vida nova e de fervorosa oração. Inúmeras pessoas foram, de fato, conduzidas a Deus por meio dessa devoção, sem falar de tantas outras que, por misericórdia divina, receberam graças extraordinárias no momento de sua morte e salvaram as suas almas.

É por isso que, em carta endereçada aos superiores da Ordem dos Carmelitas, por ocasião do 700 anos de aniversário do escapulário, o Papa Pio XII exortava todo o povo de Deus a não receber em vão o hábito carmelita:

“Este Sagrado Escapulário é, de fato, como um hábito mariano, sinal e penhor da proteção da Mãe de Deus. Ninguém pense, todavia, que, usando essa veste com preguiça ou torpor espiritual, mesmo assim terá assegurada a sua salvação eterna, porquanto adverte o Apóstolo: ‘Com temor e com tremor operai a vossa salvação’ (Fl 2, 12). Assim, pois, todos os carmelitas que pertencem por peculiar vínculo de amor à única família da Bem-aventurada Mãe de Deus, seja nos claustros das primeiras e segundas Ordens, seja na Ordem terceira regular ou secular, seja nas confrarias, tenham consigo em memória da mesma Virgem o espelho da humildade e da castidade; o breviário da modéstia e da simplicidade no próprio modo natural de vestir-se e, principalmente, nessas mesmas vestes que usam dia e noite, as preces significadas por esse eloquente símbolo, por meio das quais imploram o auxílio divino; tenham, por fim, aquela consagração ao sacratíssimo Coração da Virgem Imaculada, que sem cessar ultimamente temos recomendado.” [2]

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo é garantia incondicional de salvação, portanto, para aqueles que fazem a vontade de seu Filho. Nossa esperança, ao trazermos sobre os ombros esse piedosos sacramental, é que ele seja “força salvadora de Deus” para nós que cremos (cf. Rm 1, 16), assim como era curado, durante a vida terrena de Jesus, quem quer que tocasse ainda que fosse somente nas orlas do Seu manto (cf. Mc 5, 25-34).

Referências

  1. Rito de Benção e Imposição do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo apud Salvem a Liturgia!.
  2. Papa Pio XII, Carta Neminem profecto latet (11 de fevereiro de 1950): AAS 42, pp. 390-391.

 

Fonte: Padre Paulo Ricardo

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