Papa: o mundo está em guerra, mas não de religiões

julho 27 16:22 2016 Imprimir Este artigo

Em conversa com jornalistas no voo para a Polônia, Papa disse que a guerra no mundo é por dinheiro, não por religião

O Papa Francisco disse nesta quarta-feira, 27, que o mundo vive uma “guerra”, mas não é uma guerra de religiões, e sim pelo poder. A afirmação foi durante conversa com jornalistas no voo que o levou para Cracóvia, Polônia, onde participará da Jornada Mundial da Juventude.

Papa conversa com jornalistas durante voo para a Polônia / Foto: Arquivo

Papa conversa com jornalistas durante voo para a Polônia / Foto: Arquivo

Francisco recordou o sacerdote francês assassinado nesta terça-feira, 26, durante a celebração da Missa, ataque reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico. “Alguém poderá pensar que estou falando de uma guerra de religiões. Não: todas as religiões querem a paz. A guerra querem-na os outros, entendido?”, disse.

Comentando o assassinato do padre Jacques Hamel na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, próximo de Rouen, norte de França, que acabou também na morte dos dois terroristas, o Pontífice agradeceu as condolências recebidas neste momento, em particular as do presidente de França, François Hollande.

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“Repete-se muito a palavra segurança, mas a verdadeira é guerra. O mundo está em guerra, guerra aos bocados”, alertou Francisco, reforçando a ideia de que se assiste a um terceiro conflito global, depois das Guerras Mundiais do século XX.

Em relação a estes conflitos, o Papa entende que a guerra não é tão “orgânica”, mas é “organizada”. “É guerra. Este santo sacerdote (Jacques Hamel) foi morto precisamente no momento em que oferecia a oração pela paz, é um dos muitos cristãos, tantos inocentes, tantas crianças”, advertiu, numa denúncia das perseguições religiosas no mundo.

Francisco deu como exemplo a situação na Nigéria, refutando a ideia de que é preciso desvalorizar situações como esta no continente africano. “Não podemos ter medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra porque perdeu a paz”, insistiu.

Após saudar um a um os 70 jornalistas de 15 países, o Papa voltou a pegar no microfone para sublinhar que estava falando de “uma guerra a sério, não de guerra de religiões”. “Falo de guerra de interesses,­ pelo domínio das populações”, precisou.

A viagem do Papa

Francisco deixou Roma por volta de 9h (horário em Brasília) e desembarcou em Cracóvia menos de duas horas depois. No aeroporto, foi recebido pelo presidente da Polónia, Andrzej Duda, e pelo arcebispo da diocese, Cardeal Stanislaw Dziwisz.

Durante a visita de cinco dias, Francisco vai participar nas cerimônias da JMJ, visitar o santuário mariano de Czestochowa e prestar homenagem às vítimas dos campos de extermínio nazista em Auschwitz-Birkenau.

Esta é a 15ª viagem internacional do atual pontificado e a primeira do Papa à Polônia, em toda a sua vida.

 

Da Redação, com Informações da Agência Ecclesia

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