Por que o católico deve guardar o domingo e não o sábado?

outubro 13 15:19 2016 Imprimir Este artigo

É bastante freqüente esta dúvida entre os católicos que, muitas vezes, desconhecem o significado bíblico desses dois dias tão importantes para aqueles que acreditam em Deus e em Jesus Cristo. Principalmente quando se deparam com irmãos de outras denominações religiosas, como os Adventistas do Sétimo Dia, que guardam o sábado com fidelidade, os católicos mais desavisados sempre se questionam: por que eles observam o sábado e nós, católicos, o domingo?

moises-e-a-leiO sábado é uma data muito significativa para o povo hebreu e o respeito ao sábado é mencionado em várias partes do Antigo Testamento e também era rigidamente observado na época de Jesus. Contudo, após a ressurreição de Jesus, para os cristãos e, em especial para os católicos, o domingo ganha um significado especial.

A palavra sábado deriva do hebraico Shabbath que significa repousar, parar, descansar. Conforme o disposto no livro do Êxodo 20, 8-11, o sábado deveria ser sempre um dia santificado para o povo hebreu, pois marcaria recordação da obra da criação. Trata-se do terceiro mandamento do Decálogo entregue a Moisés no monte Sinai. Neste dia, ninguém deveria fazer trabalho algum, pois Deus, em seis dias, tudo criou e, no sétimo, descansou de toda sua obra criadora(Gn 2, 1-4).

Além de fazer memória da obra da Criação, o sábado também recorda a Festa dos Ázimos ou Páscoa. A Páscoa (também chamada de Pessach, que significa “passar por cima”, “saltar”) é a festa em que os hebreus comemoravam a libertação do povo da escravidão do Egito. Naquela noite, o anjo do Senhor feriria os primogênitos dos egípcios, mas pouparia, “saltaria” as casas dos hebreus. Com a libertação da escravidão no Egito e como memória dessa grande ação de Deus em favor do povo, essa data deveria ser sempre lembrada com uma festa em honra do Senhor (Ex 12, 14). Temos então a Festa dos Ázimos ou Páscoa, que deveria ser celebrada durante sete dias. Durante sete dias, dever-se-ia comer pães sem fermento ou ázimos e, no sétimo dia, não se deveria fazer trabalho algum, mas uma assembléia em honra do Senhor (Dt 16, 8).

Por essas razões, o sábado é um dia de descanso e um dia em louvor a Deus, preceito este seguido rigidamente durante todo o Antigo Testamento e também na época de Jesus. Interessante observar aqui que Jesus foi várias vezes acusado de “violar o sábado” (Mc 2, 23-28; Jo 5, 16-17; Jo 9, 13-16). Contudo, Jesus nunca o violou, pois o sábado não deve ser visto como uma rígida imposição negativa de não trabalhar e nada fazer, mas sim como uma imposição positiva de procurar buscar mais a Deus, de retirar um tempo para o descanso e a reflexão e, se necessário, ajudar o próximo.

Bom, mas por que nós, católicos, consagramos o domingo como um dia de louvor a Deus e de descanso e não o sábado?

A palavra domingo deriva do latim Dies Dominica que significa Dia do Senhor. Para os cristãos, essa data ganha um significado todo especial, pois foi, no domingo, que Jesus Cristo, nosso Redentor, ressuscitou. Todos os evangelistas são unânimes em dizer que a ressurreição ocorreu depois do sábado, no primeiro dia da semana (Mt 28, 1; Mc 16, 2; Lc 24, 1; Jo 20, 1).

Com a ressurreição de Jesus, nós temos uma nova criação, em que Cristo glorificado é o precursor. Ademais, esse acontecimento tão importante representa para todos nós, cristãos, a nova Páscoa, pois, com a morte e ressurreição de Jesus, passamos da escravidão do pecado para uma vida nova. Dessa forma, podemos dizer que o domingo representa a “plenitude do sábado”, assim como a Nova Aliança significa a realização plena das promessas da Antiga Aliança, pois assim disse Jesus que não viria para abolir a lei, mas para levá-la à perfeição (Mt 5, 17).

Desde o início da Igreja, percebemos a consagração do dia de domingo para o dia de louvor ao Senhor e celebração da Eucaristia. Assim manifesta São Justino (150-160 d.C.): “No dia chamado (pelos pagãos) dia do sol, todos os nossos que moram nas cidades e nos campos se reunirão num mesmo lugar… Reunimos todos em tal dia por ser aquele em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos.

Assim dispõe o Catecismo da Igreja Católica nos seus cânones 2180 e 2181 sobre a importância do domingo e participação da missa:

“O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: ‘Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa’. ‘Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa ou à tarde do dia anterior.’ A Eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave.”

Muito se tem perdido do significado verdadeiro do domingo, seja em virtude do desconhecimento do valor sagrado desse dia, seja em virtude do ritmo acelerado em que vivemos no mundo atual. O domingo, como vimos, é dia de descanso e de lazer, de reflexão, de estar com a família e com Deus. Contudo, muitos católicos não participam da missa ou ainda se entregam a muitas ocupações, o que retira do domingo a característica da consagração que lhe é peculiar.

A Igreja também destaca esse ponto, dispondo, dessa maneira, nos cânones 2184 e 2185 do seu Catecismo:

Como Deus ‘descansou no sétimo dia, depois de toda a obra que fizera’ (Gn 2,2), a vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa. Durante o domingo e os outros dias de festa de preceito, os fiéis se absterão de se entregar aos trabalhos ou atividades que impedem o culto devido a Deus, a alegria própria ao dia do Senhor, a prática de obras de misericórdia e o descanso conveniente do espírito e do corpo. As necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical. Os fiéis cuidarão para que dispensas legítimas não acabem introduzindo hábitos prejudiciais à religião, à vida familiar e à saúde.

Percebemos assim a preocupação da Igreja com esse dia tão relevante para a caminhada cristã e para a dignidade do ser humano. Como foi exposto, não se trata de uma norma rígida, infensa a qualquer exceção legítima, mas devemos ter sempre o cuidado de fazermos desse dia um dia de alegria, mais leve e tranqüilo para podermos estar mais próximos de nós mesmos, de Deus e de nosso próximo.

 

Fonte: http://www.rccvicosa.com/

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