QUINTO DIA DO NOVENÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO: VESTIR OS NUS E CORRIGIR OS QUE ERRAM

julho 12 10:46 2016 Imprimir Este artigo

No quinto dia do novenário em honra a Nossa Senhora do Carmo, Frei José Leandro de Alencar retomou as reflexões em torno das obras de misericórdia corporais e espirituais. Hoje ele aprofundou sobre “vestir os nus e corrigir os que erram”. Confira na íntegra a homilia do pregador:

Hoje, irmãos caríssimos, retomamos nossa reflexão sobre as obras de misericórdias. O que é obra de misericórdia? São ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Ou seja, é o amor aos pobres. É identificar-se ou ter um coração solidário com os que tem necessidade.

ESQUELETO-JA-2015aa3981f01c1938aNos detenhamos nas duas obras de hoje. A primeira, a corporal: Vestir os nus e a segunda, a espiritual: corrigir os que erram.

Vestir os nus. Aqui lembro o jardim do Éden. E o que tem haver o paraíso com esta obra Frei? Respondo: Lembro que logo após o pecado de Adão e Eva, eles se reconheceram que estavam nus. A nudez é fruto do pecado. Vejam o que o pecado nos faz. Nos deixa nus, sem as vestes, sem a pureza do corpo e da alma. E como eles são nossos pais, e a eles somos solidários, também estamos nus. E Deus na sua bondade quis nos dar uma veste, a veste da salvação. Fomos caríssimos vestidos com a veste da graça no nosso batismo. Aquela roupa branca era símbolo da roupa nova que Cristo, por sua Igreja e pelo sinal sacramental do batismo nos revestiu dele mesmo, para sermos santos, termos os mesmos sentimentos de dele. Por isso depois do nosso batismo lutamos para nunca mais estarmos nus e conservamos a veste imaculada sempre nova, pura em nosso coração.

Nenhum santo entrou tanto nesta obra como são Martinho de Tours por causa do manto que deu a um pobre. Na noite seguinte, Cristo apareceu-lhe vestido com a metade do manto. Daí lembramos que quem faz algo aos pobres, o faz a Cristo.

A Bíblia, propõe uma atitude de compaixão para com a nudez ao aconselhar em Tobias: “reparte…. as tuas roupas com quem está nu” (Tb 4, 16), e louva a quem veste quem está sem roupa em Ezequiel 18, 16; e quem vestir aquele que está nu por Isaias.

Em contraste com a nudez, para a Bíblia o vestido é sinal da condição espiritual do home, e particularmente a cor branca indica sua dimensão escatológica salvadora, vemos isto no apocalipse: “Uma multidão que trajava vestes alvejadas no sangue do Cordeiro”. O está revestido de branco é sinal de anuncio pascal, de vida nova. Dai a veste do nosso batismo, como vos falei.

Jesus está misteriosamente presente naquele que está nu, é preciso sensibilidade para vê-lo. Quando o Senhor esteve nu? Em dois momentos extraordinários: Cristo esteve publicamente nu ao nascer (Lc 2,7) e no Calvário (Mc 15,24), quando foi despido de suas vestes. Ao nascer, foi coberto por Maria, Sua mãe, e ao ser descido da Cruz foi envolvido por panos pelos piedosos José de Arimatéia e Nicodemos e posto nos braços maternos de Sua mãe. Portanto, todas as vezes que vestimos um nu nos tornamos a materna mão da mãe de Deus a cobri-lo e atualizamos este insólito mistério.

“… Nu e me vestistes…” (Mt 25,36a). Jesus está em todo aquele que necessita de ajuda para cobrir sua nudez. Estar nu sem dúvida possui um significado profundo, porém se tratando das obras de misericórdia seu sentido é literal. Todas as vezes que vestimos um irmão necessitado, estamos vestindo a Jesus, seja ele um morador de rua, um desabrigado pelas enchentes, um refugiado estrangeiro, um idoso, um doente ou uma criança que não consegue se vestir. Muitas vezes não é falta de agasalho, mas a incapacidade de vestir este agasalho. Quantos indigentes precisam de alguém que lhe cubra, assista e ajude.

Neste ano da misericórdia, o Papa convida a Igreja para ser: “Igreja em saída”. Que a Igreja vá ao encontro, ponha-se a serviço, não daqueles que estão longe, mas daqueles que estão perto.

Diz ainda o santo Padre em sua primeira Exortação Apostólica Evangelii Gaudium : “Os excluídos continuam a esperar (…) Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe…” (cf. EG. 54)

Devemos tomar cuidado com a tentação da indiferença, do consumismo e da ganância, que, como diz o Papa Francisco nos anestesia: “A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma.” (cf EG. 54).

Agora vejamos a espiritual. Corrigir os que erram. Quem nunca errou? Acho que todos nós, num dado momento da vida erramos, eu inclusive. Outra pergunta: Gostamos mais de corrigir ou ser corrigidos?

Para falar sobe o tema corrigir os que erram, devemos meditar um pouco sobre a chamada correção fraterna, pois a dois tipos de pessoas que erram: os pecadores ignorantes da verdade e os pecadores seduzidos pela mentira.

Os pecadores por ignorância são aqueles que desconhecem a lei de Deus, seus mandamentos e sua vontade, por isso, vivem no pecado, não necessitam apenas de correção, mas de evangelização e formação, não podem ser corrigidos, pois nunca agiram corretamente.

Os pecadores seduzidos são aqueles que conhecem a verdade, falam da verdade, mas, seduzidos pelo maligno e pelas vaidades, tomam para si as rédeas de sua vida, caem no erro e juram que estão fazendo a vontade de Deus. O erro mais comum dos seduzidos é a vanglória. Eles se tornam cegos pela autossuficiência, pelo orgulho e pela vaidade.

São os estes cegos pela vanglória: os que chamam para si a atenção, os aplausos, os elogios, as recompensas deste mundo. Infelizmente não faltam bajuladores para sustentar esta fantasia e ilusão. É nesta hora que alguns cristãos corajosos devem vencer a barreira do respeito humano e usar da correção fraterna.

São Mateus nos ensina: “se teu irmão pecar, vai e mostra-lhe o erro, mas em particular, só entre vós dois. Se ele te der ouvido ganhará um irmão.” Veja, corrigimos para ganhar um irmão e não perdê-lo. Para Santo Agostinho a correção fraterna deve ser mansa e com caridade; o santo indica três pontos importantes que devem ser levados em consideração todas as vezes que nos é necessário corrigir alguém, são eles: três nunca e um sempre. Nunca se corrige alguém quando estamos perturbados; nunca quando o outro está perturbado e nunca em público. Sempre se inicia a conversa indicando um ponto positivo da pessoa, palavras de ânimo e incentivo.

Esta correção fraterna deve acontecer, porém sem aspereza, sem exacerbar ou humilhar. Podendo até um jovem realizar com um idoso, mas com a consciência de sua condição. É verdade que no momento da correção parece não ser motivo de alegria, mas de tristeza; porém, mais tarde, produz um fruto de paz e de justiça naqueles que foram corrigidos.

A correção fraterna exige discernimento: escolher o momento oportuno; exercê-la de forma que cresça e não diminua a estima que o irmão tem de si; exercê-la sobre coisas verdadeiras; não julgar e nem condenar; corrigir sabendo que você é também necessitado de correções.

Nos grupos, pastorais, movimentos há pessoas que precisam ser corrigidas, que erram. O padre precisa corrigir seu rebanho, alguma ovelha. Ele é pastor e devemos escutá-lo.

Homilia do Frei José Leandro de Alencar, Carmelita pregador do Novenário em honra a Nossa Senhora do Carmo.

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